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5 coisas que aprendi ao resistir à tempestade

Escrito com carinho por Fernanda Haskel

Ontem estava frio e chovendo em São Paulo. O cansaço de quinta me convidava a chegar em casa pontualmente às 19:00, tomar um banho quente, ficar no meio das cobertas e dormir até de manhã. Conforto, era isso que eu queria.

Passei o dia oscilando entre meus planos: corridinha + aula de yoga ou banho quente + descanso quentinho. O duelo entre essas duas opções estava árduo dentro de mim. Observando meu diálogo interno achei graça do quanto me convencia e argumentava a favor de chegar em casa cedo e descansar. Era algo do tipo:

Você já faz yoga todos os dias, você está cansada e o dia lá fora está pedindo descanso. Vamos descansar (Sim, no plural! Nesses diálogos percebo muitos personagens dentro de mim.). Você merece, não se cobre tanto. Respeita o dia, vai! Imagina a caminha quentinha esperando a gente”.

Nossa! Eu percebi que essa euzinha que me falava tinha bons argumentos. Ela estava usando os argumentos que eu mesma criei pra mim e que de fato são muito benéficos em diversas situações. Ai! Que dúvida! Que danadinha essa Fefezinha dentro de mim.

Rompendo a barreira da preguiça

Eu sei que, cYoga sampa dormirom muita luta, eu tive um ato de resistência à preguiça e ao desânimo. Resolvi testar: e se eu for contra esse diálogo? E se eu for correr e participar da aula de yoga? Nessa hora, lembrei de algumas das sensações positivas que tenho em relação a essas práticas e sem dar mais espaço para os argumentos contrários resolvi correr e praticar yoga.

Antes que mudasse de ideia, coloquei a roupa (rápido! – pra não dar tempo de desistir) e fui! Cheguei na academia (a corrida teria que ser indoor) e lá fui eu para esteira. Corri, corri, quando vinha o pensamento de desistir, por mais tentador que fosse, lembrei que minha meta era única e focada: resistir! Vencer a mim mesma com muita determinação qualquer indício que me desse a possibilidade de desistir. E lá fui eu, corri 5km! (Done! Yes). Nem eu acreditei! Antes que pudesse me dar conta o próprio fato de celebrar essa conquista (a de correr – dadas as circunstâncias), já começou o segundo diálogo! Fezinha berrava na minha mente:

“Oba! Corremos! Que legal! Foi legal mesmo! Ainda bem que não desistimos, mas vamos embora agora? 5km para um dia como esse já é uma grande vitória, heim? Yuhulll Nossa casinha nos espera, lá, lá, lá ra lá”.

E lá fui eu, numa mini tempestade, com guarda-chuva quebrando por causa do vento e da chuva forte, a água escorrendo como cachoeira pelas calçadas, tênis ensopado, mochila encharcada e carros buzinando pra todos os lados (o caos instaurado), resiliente segui rumo à escola de yoga.  Dado momento, já não estava mais lutando.

Tudo bem estar com os pés molhados, tudo bem a chuva cair daquele jeito bem naquela hora, tudo bem as pessoas estressadas no trânsito. Eu não argumentava mais, só seguia rumo a escola de yoga. A essa altura já não julgava a chuva, as pessoas e a mim mesma. Apenas seguia: a chuva caia e eu andava. Claro! Me molharia! Mas não era motivo de reclamar, como que não saberia que aconteceria? Como poderia alterar aquela situação? Só tinha uma coisa que estava a meu alcance: desistir e isso definitivamente eu não iria.

Quando pensar em desistir, resista!

Yoga sampa leaoCheguei na escola a tempo para aula. Me sequei o quanto possível e entrei na sala. O professor iniciou a aula e orientou: 20 saudações ao sol para esquentar o corpo e saiu. Respirei e segui no meu ritmo (ok, 20. 20!). Claro que foi inútil ter me secado antes de começar, suei e me molhei de novo. Tudo bem tudo que precisava era estar ali, respirando, observando e seguindo as orientações. Consegui me concentrar e me entregar à prática. Foi lindo!  No final, meditamos 20 minutos e o professor encerrou nossa aula em tom sóbrio:

“ Faça isso todos os dias. Medite todos os dias. Pelo menos meia hora de manhã e meia hora ànoite. Se você fizer isso você terá todas as respostas. Quem é que não tem meia hora para dedicar a si mesmo? A se conhecer? Eu não entendo esse estilo de vida que se constrói sem a dedicação de parte do tempo para esse silêncio interior. Quem faz isso terá sérias consequências no futuro, sofrerá certamente”.

Ouvi com os olhos fechados, com as mãos em oração em profunda gratidão por aquelas palavras. Gratidão por mim mesma, por ter me determinado a vencer minha preguiça e desistência. Gratidão pelos meus amigos, família, professores e tudo que abriga meu yoga no dia-a-dia. Gratidão pela oportunidade de aprender, pela saúde. E muito inspirada nutrir a determinação na prática do yoga e da meditação.

5 coisas que aprendi ao resistir à tempestade

Ontem eu solidifiquei a memória emocional de vencer a mim mesma. Eu aprendi o que acontece quando resistimos, na hora de querer desistir. O resultado positivo está reverberando em meu coração até agora. Refleti e tenho 05 lições sobre ontem:

1. Disciplina é mesmo fortaleza

Disciplina é mesmo fortaleza – ela nos protege e nos abriga. Aos poucos a disciplina forma um caminho que nos conduz quase que automaticamente. Fica mais fácil e fluido.

2. É difícil vencer a si mesmo

É difícil vencer a si mesmo, mas quando isso acontece descobrimos um poder interno muito forte. É quase como se tivesse sofrido uma grande batalha e venci meu pior inimigo e depois disso, me torno maior, mais forte e poderosa.

3. A determinação é recompensada

A determinação é uma força naturalmente recompensada! Tudo que vai volta. Ao acionar minha determinação de ontem, percebo que não a gastei e sim a potencializei. Foi quase como um treinamento de uma ferramenta. Ontem treinei a determinação e me sinto mais hábil com ela.

4. Quanto pensar em desistir, resista

Sim, a chuva vai molhar e não há o que fazer. Os carros vão buzinar e não há o que fazer. Aprendi a ser resiliente ontem. Aceitei e me adaptei à situação, sem desistir do meu objetivo.

5. Comemore todas pequenas conquistas

Depois da aula de yoga, acabei num encontro breve com duas amigas queridas. Me senti tão vencedora, tão leve e feliz com a minha conquista particular. Aproveitei aquele encontro, aquele aconchego das amigas para comemorar internamente.

Celebrar as pequenas vitórias, as mínimas conquistas, é algo extremamente poderoso para nos levar adiante. Nada pode passar despercebido, conquistas merecem celebrações, eu merecia pódio, o meu pódio particular.

Cheguei em casa, tomei um banho quente e dormi muito bem em minhas cobertas. É claro que poderia ter chegado direto na parte de descansar e ter evitado muito dos obstáculos (seria legal também), mas eu não quis evitar os obstáculos, quis vencê-los.

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